Para mudar a
cultura de um povo não ataque a cultura em si, mas crie novos hábitos que,
retroativamente, serão justificados porque “sempre foi assim”.
Dito isso,
vamos ao que interessa...
O
adolescente, devido à sua inexperiência e pouca vivência, tende a ser
revolucionário. Por simples ignorância, rejeita aquilo que veio antes de si, as
tradições, a caretice do conservadorismo, etc. Por ainda não compreender a
complexidade da existência humana e sua sociedade, tem a si mesmo como centro
do universo. Assim sendo, a coisa mais importante do (seu) mundo é a própria satisfação,
que acredita que só será alcançada através do imediato, das práticas sexuais, do consumo de
drogas “recreativas”, festas, diversões e afins.
O “mais
velho”, reconhecendo o erro, tentará aconselhá-lo, ajudá-lo, talvez censurá-lo
e até castigá-lo, se necessário. Ainda incapaz de entender tais atitudes, o
jovem vai ver nisso uma tentativa de impedi-lo de ser feliz, voltando-se contra
seus censores. Quando se apega a alguma luta contra injustiças tenha certeza de
que é porque ele mesmo se sente injustiçado, não porque está preocupado com os
outros.
Esse “choque
de gerações” torna o mancebo extremamente suscetível ao novo, ao “progresso”
(pois tudo que é novo DEVE ser melhor), e à engenharia social. Então, se se
deseja mudar a cultura de um povo através de hábitos novos, quem melhor que o
jovem para assimilá-los e torná-los normais?
Há uns dez anos,
piercings e tatuagens eram comuns em grupos específicos, sendo vistos com
suspeita e aversão pela população em geral. Com o passar do tempo, pessoas cada
vez mais novas passaram a adotar tais adornos (hoje vi um moleque de uns 10
anos usando brinco), fazendo daquilo uma prática tão habitual que senhoras de
50 anos passaram a usá-los também. É difícil
sair na rua hoje e não se deparar com várias mulheres de idades e classes
sociais diversas com flores, estrelinhas e borboletas tatuadas nos ombros e
braços. O desrespeito com o próprio corpo, a agressão, a automutilação em nome
de uma falsa auto-estima (assunto já abordado aqui e aqui) passaram a ser aceitáveis.
A
promiscuidade e a sexualidade exacerbada e prematura são outro exemplo e nesse
aspecto acredito que a internet tenha grande parte da culpa. Meninas cada vez
mais permissivas, sem qualquer respeito próprio, se filmando e fotografando de
forma erótica (quando não pornográfica) para se exibir para meninos
transbordando hormônios, tudo em nome da vaidade. As tais ficadas (que outrora
eram tão bobinhas) e a conduta libidinosa se espalharam de tal forma que mulheres
de 40, 50 anos as adotaram também. Castidade e virgindade passaram a ser sempre
relacionadas à Santa Igreja, o que na mente juvenil é sinônimo de retrocesso,
de caretice.
Outro
exemplo bastante recente é a aceitação, quando não adoração, da conduta homossexual.
Outrora motivo de piada, hoje é inatacável, sob pena de execração pública e processo judicial.
O velho
tende a ser resistente a toda essa propaganda graças à própria experiência.
Seus valores morais foram lapidados com o passar das gerações, mas o
adolescente despreza valores morais. Eles cerceiam sua liberdade absoluta, tornam
amarga sua felicidade, são coisa do passado e devem ser abandonados. Seu oposto
deve, portanto, ser o certo a buscar. Se o velho criticou é porque é bom! Com
essa ânsia por novidades, torna-se presa fácil de qualquer nova tentação.
Lógico que o
adolescente não é a única vítima direta dessas ferramentas de engenharia social.
É apenas a mais entusiasmada. Donas-de-casa também o são através de novelas,
com seus personagens devassos, gays sofridos e adoráveis, divórcios constantes,
ricos perversos e pobres imaculados. Isso mais a porca literatura pop, a música
de baixíssima qualidade das rádios e o cinema hollywoodiano levam a mensagem a
praticamente toda população.
Depois que
as novidades são adotadas simplesmente por serem novidades, ficam cada vez mais
comuns até se tornarem a regra. O pobre brasileirinho, sempre buscando a
aceitação do bando, não vai querer ser a aberração, certo?*
Ué, mas isso
sempre foi desse jeito, não?
*O psicólogo Lawrence Kohlberg definiu o desenvolvimento moral em
seis graus, que são os seguintes: “No mais baixo e primitivo, em que a conduta
humana faz fronteira com a dos animais, a motivação principal das ações é o
medo do castigo. É o estágio da “Obediência e Punição”. No segundo
(“Individualismo e Intercâmbio”), o indivíduo busca conscientemente a via mais
eficaz para satisfazer a seus próprios interesses e entende que às vezes a
reciprocidade e a troca são vantajosas. No terceiro (“Relações Interpessoais”),
os interesses imediatos cedem lugar ao desejo de captar simpatia, de ser aceito
num grupo, de sentir que tem “amigos” e distinguir-se dos estranhos, dos
concorrentes e inimigos. No quarto (“Manutenção da Ordem”), o indivíduo percebe
que há uma ordem social acima dos grupos e empenha-se em obedecer as leis, em
cumprir suas obrigações. No quinto (“Contrato Social e Direitos Individuais”),
ele se torna sensível à diversidade de opiniões e entende a ordem social já não
como um imperativo mecânico, mas como um acordo complexo necessário à
convivência pacífica entre os divergentes, No sexto e último (“Princípios
Universais”), ele busca orientar sua conduta por valores universais, mesmo
quando estes entram em conflito com os seus interesses pessoais, com a vontade
dos vários grupos ou com a ordem social presente.”
Fonte: http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/14610-a-moral-do-brasil.html
Fonte: http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/14610-a-moral-do-brasil.html
Obviamente o brasileiro quase nunca passa do terceiro grau,
sendo um escravo da coletividade, o que explica porque a engenharia social funciona
tão bem por estas bandas. Afinal, todo mundo faz, todo mundo sempre fez, por
que eu não faria? Foi sempre desse jeito, não?
2 comentários:
Perfeito
Ótimo texto.
[]´s
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