sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O que te faz feliz?

Aristóteles, em seu Ética a Nicômaco, definiu que a virtude é o caminho do meio. Comer demais te torna obeso; de menos, te mata. Coragem demais te torna descuidado; de menos, um covarde. E assim por diante.
Logo em seguida, como transcrito aqui, define que a felicidade não pode residir nos entretenimentos, pois não faria sentido dedicar uma vida apenas a isso. É ilógico trabalhar por décadas só pra satisfazer o desejo por diversão, pois a mesma serve para relaxarmos e continuarmos trabalhando.
Por fim, conclui que a felicidade deve residir na prática das virtudes.

Agora ao que interessa de fato... Quem ou o que é Deus? Deus é a beleza, é a inteligência, a sabedoria, a glória. Em outras palavras, Deus é a Verdade. E qual é mesmo o primeiro Mandamento? "Amai a Deus sobre todas as coisas". Todas, não algumas.

Agora sugiro que o leitor olhe pra dentro de si mesmo e seja sincero (não adianta mentir pra mim, não faz diferença - só não minta pra si mesmo). Onde, exatamente, busca tua felicidade? É na Verdade? Ou é na festinha, no baseadinho, no sexo casual, no álcool, no carro novo, nas posses em geral?
Percebe que ao colocar, por exemplo, o sexo num altar, acreditando piamente que ele vai te tornar feliz, está afirmando pra si e pro mundo que a fodinha no motel está acima da Verdade? O mesmo se aplica ao teu breuzinho, tua festinha, tuas últimas compras, teu emprego, etc. Tudo aquilo que é supervalorizado é colocado acima da Verdade e, portanto, declarado como mais importante e superior.
Como pode a virtude e a felicidade residirem nalgo que está obviamente abaixo da Verdade? Onde poderiam ser encontradas, se não na perfeição?

Agora outra análise... Já que tem acesso a todo esse entretenimento (que o véio Aristóteles há uns 2300 anos já explicou não ser o caminho da felicidade), olhando pra si mesmo, consegue afirmar que é feliz? Tua vida é do jeito que deveria? É exemplar? É um farol da luz divina? É um estandarte da Verdade?

Se sim, parabéns, pois vosmecê é um santo e está na mesma categoria que Santo Agostinho, Tomás de Aquilo, os apóstolos e todos os mártires que morreram em nome da Verdade.
Se a resposta for não, talvez seja hora de mudar um pouco o foco.

É normal que fujamos da dor e busquemos o prazer, tal qual um cachorro que lambe a própria genitália, mas será esse, de fato, o caminho? Esse amor anormal por si mesmo, que te afasta do sacrifício, que te acovarda diante das dificuldades e te faz rastejar atrás de prazeres mundanos, já foi descrito aqui. Não tenho dúvida quanto à veracidade do que escrevo aqui, pois conheço minha própria história e trocentas outras. E não conheço um escravo do mundo que não viva triste e/ou deprimido. Conheci gente de posses, com acesso a tudo do bom e do melhor, mas que vivia graças a antidepressivos. Conheci libertinos e party animals que tentaram o suicídio.

Como podemos desejar algo menor que a perfeição, que a Verdade, que Deus? Ele não está em teu orgasmo, em teu baseado, em tua conta bancária.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A culpa é sua

A política de um país é subproduto de sua cultura. Isso parece óbvio o bastante, não exige nenhum aprofundamento.

O Brasil é o país onde, se o sujeito não mama nas tetas do governo (e, por consequência, o bajula e idolatra ad nauseam), ele o critica ferozmente. O retardo mental que aflige os aduladores do PT dispensa comentários, então falemos do segundo caso.

A Alta Cultura do país está morta há décadas. Tínhamos Mario Ferreira dos Santos, Graciliano Ramos, Otto Maria Carpeaux, Nelson Rodrigues e muitos outros, ao passo que agora temos Paulo Coelho, Luiz Fernando Veríssimo, Arnaldo Jabor e similares. O brasileiro "praticante" não sabe diferenciar Beethoven da descarga da privada. Prefere "As Branquelas" ao clássico Casablanca. Odeia livros, mas quando afirma o contrário, em sua biblioteca só se encontra Harry Potter, Percy Jackson, 50 Tons de Cinza e demais bobagenzinhas, cujo maior trunfo foi vender bastante.

Num país onde Chico Buarque é intelectual, onde tipos como Chorão são exemplo pra juventude, onde BBB ainda tem audiência e as escolas estão jogadas às traças, que tipo de cultura há de brotar? Sendo a política um subproduto da cultura, que tipo de política você, brasileiro vagabundo e semi-analfabeto, espera que tenhamos? Não adianta apontar o dedo, culpar Fulano ou Beltrano. A culpa é de todo aquele que contribui, de uma forma ou de outra, pra estupidificação de si mesmo e dos que o cercam.

A culpa é sua, seu idiota, que investe horrores em tatuagens, piercings, trago e festas, mas é incapaz de gastar um tostão (ou 30 minutos diários, que seja) com a própria educação.