terça-feira, 21 de maio de 2013

Pergunta a Chesterton

"Prezado sr. Chesterton, como o senhor pode pensar que o cristianismo é verdadeiro? E as outras religiões que afirmam ser verdadeiras?" - Ass.: um livre-pensador

"Caro ex-pensador, o vulgar argumento moderno usado contra a religião, e ultimamente contra a decência comum, seria absolutamente fatal a qualquer ideia da liberdade. Diz-se muito que, como há mais de cem religiões afirmando ser verdadeiras então, por isso, é impossível que uma delas realmente deva ser verdadeira. O argumento deveria ser obviamente ilógico para qualquer um que conhecesse lógica. Seria como dizer que só porque algumas pessoas pensaram que a terra era chata e as outras (um tanto menos incorretamente) imaginaram que era redonda, e porque alguém diz que ela é triangular ou hexagonal, ou um romboidal, por isso ela não tem nenhuma forma em absoluto, ou que a sua forma nunca pode ser descoberta e, de qualquer maneira, a ciência moderna deve estar errada no provérbio de que ela é um esferoide achatado nos polos. O mundo deve ter alguma forma, e deve ter essa forma e nenhuma outra; e este fato não é tão auto-evidente de forma que alguém possa ter plena certeza. O que tão obviamente se aplica à forma material do mundo igualmente aplica-se à forma moral do universo. O homem que o descreve pode não ter razão, mas ela não é nenhum argumento contra a sua razão de que um número de outras pessoas deve estar errada.

Do seu amigo, G.K. Chesterton"

sábado, 4 de maio de 2013

Essa molecada...


Toda molecada se julga mais inteligente que a geração anterior, quando, na verdade, são apenas mais impulsivos. Não respeitam e nem valorizam o estudo, a lógica, a reflexão, a tradição, etc, mas A-DO-RAM uma palavra de ordem, uma manifestação pública (pra mostrar que tem "atitude"), um protestinho, uma baderna, uma festinha.

Na cabecinha deles, quem opta pela intelectualidade e preservação da ordem é reacionário (o que, na cabeça deles, é um xingamento - eu acho um elogio), é retrógrado, é atrasado, é o caralho a quatro. O negócio é mandar se foder, é xingar a sociedade, é fumar maconha, é trepar adoidado, é abraçar qualquer idéia revolucionária absurda, é ignorar que toda a civilização existe graças à preservação de tradições e hábitos consagrados por sabermos que FUNCIONAM.

É o perigo de se misturar ativismo com adolescência (termo que uso me referindo à maturidade, não à vida cronológica, pois hoje temos adolescentes de quase 40 anos). O espírito de rebeldia natural dessa fase se choca com as proibições impostas pelos pais, pela sociedade, pela moral e pelos bons costumes, e a brilhante conclusão da pivetada é que eles são injustiçados e os opressores devem cair (ora, puxa, por acaso é justamente o papinho favorito de todo esquerdista e marxista). Daí nasce a rejeição pela ordem, pela Verdade, pela busca de conhecimento, pelo trabalho. Daí nasce a preferência pelo imediato e bombástico em detrimento do tradicional e "não tão divertido".

Mas essa postura diante da vida intelectual "chata e insossa" vem de mais longe. Vem dessa cultura medonha de hedonismo que vem se implantando artificialmente nas últimas décadas e que, pra essa gente, é "um tremendo avanço, a queda dos tabus" e blablablás do tipo (já abordei esse tema aqui noutros posts, então não há por que me alongar nisso). Se ao menos soubessem como se originou a revolução sexual e o movimento hippie...

Lembram - e muito - a sociedade descrita no Admirável Mundo Novo, onde a busca pelo prazer constante e incessante é o foco da vida e "todo mundo sai ganhando", pois o povo, agradado pelo moderníssimo panis et circensis, jamais se revolta, ao passo que os administradores não têm com o que se preocupar. É tragicômico vê-los celebrando a própria liberdade enquanto marcham diretamente pra dentro de uma gaiola de barras translúcidas.

Os mártires cristãos morreram defendendo - muitas vezes em silêncio - sua fé e o que sabiam ser o certo. A atual geração tem seus mártires, mas eles morreram de AIDS, overdose ou durante um aborto ilegal.