sexta-feira, 4 de julho de 2014

Cerveja e Catolicismo

Reavivando o velho blogo com um artigo tirado daqui, traduzido pelo meu chapa Vinícius.


A arte perdida de beber como um católico

Existe um modo protestante de beber, e existe um modo católico de beber, e a diferença é mais do que apenas quantidade. Não tenho dados científicos para sustentar a minha afirmação, nem realizei um estudo formal, mas podemos dizer que fiz um bocado de estudo informal, o qual provavelmente seja o melhor meio de testar uma hipótese dessas.

Para começar, o que seria o modo católico de beber? É difícil definir com precisão, mas aqui vai um exemplo histórico. Santo Arnaldo (580-640), também conhecido como Santo Arnulfo de Metz, foi um bispo de Metz, onde mais tarde seria a França, no século XVII. Muito amado pelas pessoas, dizia-se que Santo Arnaldo pregava contra o consumo de água, o que naquela época podia ser extremamente perigoso devido às péssimas condições sanitárias das redes de esgoto — ou mesmo a ausência total delas. Ao mesmo tempo, ele frequentemente apregoava os benefícios da cerveja, e atribui-se a ele ter dito uma vez: “Do suor do homem e do amor de Deus veio a cerveja ao mundo.”

Sábias palavras que a congregação de Santo Arnaldo levou a sério. Após a sua morte, o bom bispo foi enterrado em um monastério próximo a Remiremont, na França, para onde ele havia se retirado. Porém, os paroquianos sentiam a falta do padre e queriam-no de volta. Assim, em 641, depois de obter aprovação para exumar os restos mortais de Santo Arnaldo, eles carregam-no em procissão de volta a Metz para sepultá-lo na basílica dos Santos Apóstolos. Ao longo do caminho, como fazia calor, as pessoas ficaram com sede, e pararam em uma taberna, em busca de um pouco de cerveja. Infelizmente, a taberna tinha apenas o suficiente para uma única caneca, e ela teria que ser dividida entre todos. De acordo com a história, a caneca não se esvaziou até que todo mundo tivesse saciado a sua sede.

Vejam bem, não estou dizendo que o modo católico de beber envolva milagres, ou que um milagre deva ocorrer cada vez que as pessoas se reúnem para libar. Mas uma boa cerveja — e até um bom vinho — é um pequeno milagre em si, sendo um presente de Deus para as Suas criaturas, amadas por Ele. Como G. K. Chesterton escreveu no livro Ortodoxia: “Devemos agradecer a Deus por cerveja e por vinho Burgundy, evitando beber em excesso”[1]. Em outras palavras, demonstramos a nossa gratidão a Deus pelo vinho e pela cerveja ao apreciá-los com alegria e em boa companhia, mas sem consumi-los de forma abusiva.

O que constitui excesso cabe a cada um julgar por si próprio. No entanto, agora vamos tratar da principal diferença entre o modo católico e o modo protestante de beber. O modo protestante tende a ocorrer em um ou outro extremo: ou o consumo em demasia, ou a total abstinência, sendo cada um uma reação ao outro. Algumas pessoas, apropriadamente fartas da superioridade presunçosa dos abstêmios, bebem em excesso. Por outro lado, os abstêmios, devidamente consternados com os hábitos dos bêbados contumazes, privam-se de beber por completo. Ao que parece, nenhum dos lados percebe que a sua posição nada mais é do que isso: uma reação, e não uma solução. Se eles refletissem um pouco a respeito, talvez perceberiam uma terceira alternativa, que não envolve nem ebriedade, nem abstemia, e, ao mesmo tempo, condiz com o modo saudável, honesto e humano de viver do cristão.

Encontramos o modo católico de beber. Essa é a terceira alternativa, uma forma de dedicar-se a uma atividade secular apreciada por todos, de camponeses a imperadores, e até pelo próprio Jesus. Recapitulando: a questão não é somente quantidade. Na verdade, acho que o elemento principal é a sociabilidade. Quando amigos se reúnem para beber, seja para festejar, seja para lamentar, essa reunião deve ser sempre para desfrutar da companhia uns dos outros (sim, há momentos e locais para uma cerveja solitária, mas esses são uma exceção).

Por exemplo: as palestras da conferência anual de Chesterton, por si só, não são mais importantes do que, mais tarde, os participantes discutirem essas mesmas palestras enquanto tomam cerveja e vinho (seguimos a regra geral de Hilaire Belloc: evitar bebidas alcoólicas que tenham sido elaboradas após a Reforma). Esses encontros acontecem entre conversas, durante conversas —madrugada afora, inclusive — e normalmente encerramos a noite agradavelmente inebriados. Não consigo imaginar uma conferência de Chesterton sem isso. Ainda assim, também sei o quanto seria prejudicial se retornássemos aos nossos quartos cambaleando e irremediavelmente bêbados.


Evite os extremos — é assim que um católico bebe. Essa é a arte de se beber como católico. Muitos de nossos irmãos consideram beber algo imoral, enquanto outros acreditam que o ato de beber deve terminar com absoluta embriaguez. Mas adotar uma postura mais equilibrada — o método católico — significa divertir-se, dar boas risadas, chorar um pouco eventualmente, mas sempre com alegria e gratidão pela generosidade de Deus em dar-nos maravilhas como a cerveja e o vinho. Ao lembrar-se disso, a arte perdida de beber como um católico não continuará perdida.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Da engenharia social

Para mudar a cultura de um povo não ataque a cultura em si, mas crie novos hábitos que, retroativamente, serão justificados porque “sempre foi assim”.
Dito isso, vamos ao que interessa...

O adolescente, devido à sua inexperiência e pouca vivência, tende a ser revolucionário. Por simples ignorância, rejeita aquilo que veio antes de si, as tradições, a caretice do conservadorismo, etc. Por ainda não compreender a complexidade da existência humana e sua sociedade, tem a si mesmo como centro do universo. Assim sendo, a coisa mais importante do (seu) mundo é a própria satisfação, que acredita que só será alcançada através do imediato, das práticas sexuais, do consumo de drogas “recreativas”, festas, diversões e afins.
O “mais velho”, reconhecendo o erro, tentará aconselhá-lo, ajudá-lo, talvez censurá-lo e até castigá-lo, se necessário. Ainda incapaz de entender tais atitudes, o jovem vai ver nisso uma tentativa de impedi-lo de ser feliz, voltando-se contra seus censores. Quando se apega a alguma luta contra injustiças tenha certeza de que é porque ele mesmo se sente injustiçado, não porque está preocupado com os outros.

Esse “choque de gerações” torna o mancebo extremamente suscetível ao novo, ao “progresso” (pois tudo que é novo DEVE ser melhor), e à engenharia social. Então, se se deseja mudar a cultura de um povo através de hábitos novos, quem melhor que o jovem para assimilá-los e torná-los normais?

Há uns dez anos, piercings e tatuagens eram comuns em grupos específicos, sendo vistos com suspeita e aversão pela população em geral. Com o passar do tempo, pessoas cada vez mais novas passaram a adotar tais adornos (hoje vi um moleque de uns 10 anos usando brinco), fazendo daquilo uma prática tão habitual que senhoras de 50 anos passaram a usá-los também. É difícil sair na rua hoje e não se deparar com várias mulheres de idades e classes sociais diversas com flores, estrelinhas e borboletas tatuadas nos ombros e braços. O desrespeito com o próprio corpo, a agressão, a automutilação em nome de uma falsa auto-estima (assunto já abordado aqui e aqui) passaram a ser aceitáveis.

A promiscuidade e a sexualidade exacerbada e prematura são outro exemplo e nesse aspecto acredito que a internet tenha grande parte da culpa. Meninas cada vez mais permissivas, sem qualquer respeito próprio, se filmando e fotografando de forma erótica (quando não pornográfica) para se exibir para meninos transbordando hormônios, tudo em nome da vaidade. As tais ficadas (que outrora eram tão bobinhas) e a conduta libidinosa se espalharam de tal forma que mulheres de 40, 50 anos as adotaram também. Castidade e virgindade passaram a ser sempre relacionadas à Santa Igreja, o que na mente juvenil é sinônimo de retrocesso, de caretice.

Outro exemplo bastante recente é a aceitação, quando não adoração, da conduta homossexual. Outrora motivo de piada, hoje é inatacável, sob pena de execração pública e processo judicial.

O velho tende a ser resistente a toda essa propaganda graças à própria experiência. Seus valores morais foram lapidados com o passar das gerações, mas o adolescente despreza valores morais. Eles cerceiam sua liberdade absoluta, tornam amarga sua felicidade, são coisa do passado e devem ser abandonados. Seu oposto deve, portanto, ser o certo a buscar. Se o velho criticou é porque é bom! Com essa ânsia por novidades, torna-se presa fácil de qualquer nova tentação.

Lógico que o adolescente não é a única vítima direta dessas ferramentas de engenharia social. É apenas a mais entusiasmada. Donas-de-casa também o são através de novelas, com seus personagens devassos, gays sofridos e adoráveis, divórcios constantes, ricos perversos e pobres imaculados. Isso mais a porca literatura pop, a música de baixíssima qualidade das rádios e o cinema hollywoodiano levam a mensagem a praticamente toda população.

Depois que as novidades são adotadas simplesmente por serem novidades, ficam cada vez mais comuns até se tornarem a regra. O pobre brasileirinho, sempre buscando a aceitação do bando, não vai querer ser a aberração, certo?*
Ué, mas isso sempre foi desse jeito, não?




*O psicólogo Lawrence Kohlberg definiu o desenvolvimento moral em seis graus, que são os seguintes: “No mais baixo e primitivo, em que a conduta humana faz fronteira com a dos animais, a motivação principal das ações é o medo do castigo. É o estágio da “Obediência e Punição”. No segundo (“Individualismo e Intercâmbio”), o indivíduo busca conscientemente a via mais eficaz para satisfazer a seus próprios interesses e entende que às vezes a reciprocidade e a troca são vantajosas. No terceiro (“Relações Interpessoais”), os interesses imediatos cedem lugar ao desejo de captar simpatia, de ser aceito num grupo, de sentir que tem “amigos” e distinguir-se dos estranhos, dos concorrentes e inimigos. No quarto (“Manutenção da Ordem”), o indivíduo percebe que há uma ordem social acima dos grupos e empenha-se em obedecer as leis, em cumprir suas obrigações. No quinto (“Contrato Social e Direitos Individuais”), ele se torna sensível à diversidade de opiniões e entende a ordem social já não como um imperativo mecânico, mas como um acordo complexo necessário à convivência pacífica entre os divergentes, No sexto e último (“Princípios Universais”), ele busca orientar sua conduta por valores universais, mesmo quando estes entram em conflito com os seus interesses pessoais, com a vontade dos vários grupos ou com a ordem social presente.”
Fonte: http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/14610-a-moral-do-brasil.html


Obviamente o brasileiro quase nunca passa do terceiro grau, sendo um escravo da coletividade, o que explica porque a engenharia social funciona tão bem por estas bandas. Afinal, todo mundo faz, todo mundo sempre fez, por que eu não faria? Foi sempre desse jeito, não?

sábado, 25 de janeiro de 2014

Como pensar do avesso

Lembram daquele livro genial devidamente aprovado pelo MEC que consistia em ensinar variações "populares" da língua portuguesa nas escolas? Através dele seria correto dizer "nóis faz", "a gente vamos", etc.
Não lembro do nome do autor dessa aberração, mas lembro que a justificativa era a "inclusão social", fazer o aluno se sentir à vontade sem usar a norma culta, que era elitismo querer ensinar a mesma língua a todos.

Esse tipo de projeto nos ensina como pensar ao contrário, do avesso mesmo. Me expliquem como pode ser inclusivo ensinar uma parcela da população uma variação PORCA da nossa tão bela língua, tornando inacessíveis autores como Dostoievski, Homero, Shakespeare e tantos outros.

É a mesma lógica suja e muito filha da puta que utilizam para defender cotas raciais (num país onde a maioria é negra/parda).

Há muito tempo que a única função do MEC é idiotizar os alunos, completando o serviço já feito pela mídia em geral

Humildade da ignorância

Queria encontrar um artigo que li anos atrás do finado Sérgio Jockymann, mas creio que não esteja na internet. Assim sendo, vou tentar eu mesmo desenvolver um pouco o assunto.

Houve tempos em que a ignorância era humilde. Ter seu português corrigido em público era motivo de vergonha, de baixar a cabeça e ruborizar. Águas passadas. As reações mais comuns a uma correção dessa natureza hoje em dia são "e daí? Você me entendeu!", "falo como eu quiser", etc.

Acredito (e se trata apenas de um palpite pessoal) que muito dessa defesa da própria miséria intelectual venha do pensamento esquerdista, que sente um prazer quase sexual em defender tudo o que é baixo, feio, pobre e vazio. O belo, o sublime, o elevado, tudo aquilo que não está ao alcance da ralé (seja no sentido econômico, social ou intelectual) é vilipendiado, hostilizado e rejeitado.

É sempre por aí que o pensamento esquerdista avança, é aí que encontra sua clientela: transformando as diferenças em motivo de vitimização. Se você é pobre, é culpa de quem tem dinheiro. Se você é feio, é culpa de quem é bonito. Se é burro, é culpa dos inteligentes. É o oposto do pensamento direitista, que acredita no mérito, no fazer por merecer, na constante busca pelo melhor. O esquerdista, um preguiçoso por excelência, não quer trabalhar para ser rico também, não quer estudar, não quer fazer por merecer, mas quer merecer. A solução é sempre a destruição daquilo que não tem.

O assunto é bastante extenso e amplo, mas não quero me alongar aqui. A cada linha que escrevo me surgem idéias para mais cinco ou seis. Tratemos apenas do tópico inicial.

Nos tempos em que o pensamento conservador "vivia tranquilo", o pobre sentia vergonha de ser pobre, não por se tratar de uma situação vexatória em si, mas por ter, na maioria dos casos, fracassado em sair daquela situação. Aquele que era reprovado na escola ou que simplesmente tirava uma nota baixa era achincalhado por ser preguiçoso. O sujeito que soltasse um "para mim fazer", "menas" ou um "estou meia cansada" e fosse corrigido agradeceria pela correção e se sentiria mal internamente por seu lapso. Não é mais assim. O ruim é bom, o "lixo é luxo". É a completa inversão de valores. O conhecimento porco de gramática e ortografia do próprio idioma são motivos de orgulho, sinais de independência, "eu não perco meu tempo decorando essas regrinhas idiotas". No fundo a pessoa talvez nem acredite de fato nessa defesa estapafúrdia que faz da própria burrice, mas ela PRECISA acreditar na própria farsa, ela precisa seguir mentindo para si mesma, ou terá que admitir seu fracasso e aí jaz boa parte da amargura do ignorante, do fracassado esquerdista.

Recentemente tomei uma decisão: eu explico duas mil vezes a quem me pedir ajuda sinceramente, mas mando enfiar o dedo no próprio rabo e rasgar pro lado se agir com prepotência. Não dá para baixar a cabeça diante de tal comportamento, pois é como alimentar a doença alheia, afirmá-la como correta.