sábado, 25 de janeiro de 2014

Humildade da ignorância

Queria encontrar um artigo que li anos atrás do finado Sérgio Jockymann, mas creio que não esteja na internet. Assim sendo, vou tentar eu mesmo desenvolver um pouco o assunto.

Houve tempos em que a ignorância era humilde. Ter seu português corrigido em público era motivo de vergonha, de baixar a cabeça e ruborizar. Águas passadas. As reações mais comuns a uma correção dessa natureza hoje em dia são "e daí? Você me entendeu!", "falo como eu quiser", etc.

Acredito (e se trata apenas de um palpite pessoal) que muito dessa defesa da própria miséria intelectual venha do pensamento esquerdista, que sente um prazer quase sexual em defender tudo o que é baixo, feio, pobre e vazio. O belo, o sublime, o elevado, tudo aquilo que não está ao alcance da ralé (seja no sentido econômico, social ou intelectual) é vilipendiado, hostilizado e rejeitado.

É sempre por aí que o pensamento esquerdista avança, é aí que encontra sua clientela: transformando as diferenças em motivo de vitimização. Se você é pobre, é culpa de quem tem dinheiro. Se você é feio, é culpa de quem é bonito. Se é burro, é culpa dos inteligentes. É o oposto do pensamento direitista, que acredita no mérito, no fazer por merecer, na constante busca pelo melhor. O esquerdista, um preguiçoso por excelência, não quer trabalhar para ser rico também, não quer estudar, não quer fazer por merecer, mas quer merecer. A solução é sempre a destruição daquilo que não tem.

O assunto é bastante extenso e amplo, mas não quero me alongar aqui. A cada linha que escrevo me surgem idéias para mais cinco ou seis. Tratemos apenas do tópico inicial.

Nos tempos em que o pensamento conservador "vivia tranquilo", o pobre sentia vergonha de ser pobre, não por se tratar de uma situação vexatória em si, mas por ter, na maioria dos casos, fracassado em sair daquela situação. Aquele que era reprovado na escola ou que simplesmente tirava uma nota baixa era achincalhado por ser preguiçoso. O sujeito que soltasse um "para mim fazer", "menas" ou um "estou meia cansada" e fosse corrigido agradeceria pela correção e se sentiria mal internamente por seu lapso. Não é mais assim. O ruim é bom, o "lixo é luxo". É a completa inversão de valores. O conhecimento porco de gramática e ortografia do próprio idioma são motivos de orgulho, sinais de independência, "eu não perco meu tempo decorando essas regrinhas idiotas". No fundo a pessoa talvez nem acredite de fato nessa defesa estapafúrdia que faz da própria burrice, mas ela PRECISA acreditar na própria farsa, ela precisa seguir mentindo para si mesma, ou terá que admitir seu fracasso e aí jaz boa parte da amargura do ignorante, do fracassado esquerdista.

Recentemente tomei uma decisão: eu explico duas mil vezes a quem me pedir ajuda sinceramente, mas mando enfiar o dedo no próprio rabo e rasgar pro lado se agir com prepotência. Não dá para baixar a cabeça diante de tal comportamento, pois é como alimentar a doença alheia, afirmá-la como correta.

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