A política de um país é subproduto de sua cultura. Isso parece óbvio o bastante, não exige nenhum aprofundamento.
O Brasil é o país onde, se o sujeito não mama nas tetas do governo (e, por consequência, o bajula e idolatra ad nauseam), ele o critica ferozmente. O retardo mental que aflige os aduladores do PT dispensa comentários, então falemos do segundo caso.
A Alta Cultura do país está morta há décadas. Tínhamos Mario Ferreira dos Santos, Graciliano Ramos, Otto Maria Carpeaux, Nelson Rodrigues e muitos outros, ao passo que agora temos Paulo Coelho, Luiz Fernando Veríssimo, Arnaldo Jabor e similares. O brasileiro "praticante" não sabe diferenciar Beethoven da descarga da privada. Prefere "As Branquelas" ao clássico Casablanca. Odeia livros, mas quando afirma o contrário, em sua biblioteca só se encontra Harry Potter, Percy Jackson, 50 Tons de Cinza e demais bobagenzinhas, cujo maior trunfo foi vender bastante.
Num país onde Chico Buarque é intelectual, onde tipos como Chorão são exemplo pra juventude, onde BBB ainda tem audiência e as escolas estão jogadas às traças, que tipo de cultura há de brotar? Sendo a política um subproduto da cultura, que tipo de política você, brasileiro vagabundo e semi-analfabeto, espera que tenhamos? Não adianta apontar o dedo, culpar Fulano ou Beltrano. A culpa é de todo aquele que contribui, de uma forma ou de outra, pra estupidificação de si mesmo e dos que o cercam.
A culpa é sua, seu idiota, que investe horrores em tatuagens, piercings, trago e festas, mas é incapaz de gastar um tostão (ou 30 minutos diários, que seja) com a própria educação.