Filáucia é, de forma resumida, o amor excessivo e
desvirtuado por si mesmo. Não, não é a mesma coisa que narcisismo. A filáucia é
o que faz o ser humano fugir, na medida do possível, da dor e do sofrimento e
buscar, custe o que custar, a própria satisfação e o prazer imediato.
Afeta todo mundo, não há exceções, mas a forma como se
manifesta varia. Vai desde pequenas coisas, como a preguiça de levantar pela
manhã, até situações mais extremas, como a indiferença em relação ao próximo.
É um dos grandes problemas dos ditos católicos
não-praticantes: quanto às praticas religiosas, tudo aquilo que os tira de sua
zona de conforto é visto como “muito extremo”, “radical demais”, sendo Deus em
suas vidas apenas um coadjuvante distante. Praticar mortificação, jejum,
celibato, caridade, confissão, penitência? “Ah, não, e como eu vou ser feliz
assim? Hão de tratar Deus como um gênio da lâmpada, sempre disposto a atender seus
pedidos “porque Ele é bom”.
É o que afasta as pessoas da vida intelectual. “Ah, estudar
é chato, ler é cansativo, preciso me divertir mais, sair mais, fazer mais festa”.
É o que faz com que tanta gente não se preocupe em buscar a
Verdade, apenas algo que conforte, migrando para religiões mais “liberais”,
onde pode tudo desde que se seja bonzinho, não mate nem roube. Leva ao ateísmo também (embora não seja sua única causa, como já comentado noutro post), pois é mais fácil ser relativista e não devotar respeito à nenhuma Verdade objetiva, apenas ao próprio umbigo e ao que lhe convém.
Mata o espírito empreendedor, acovarda, torna preguiçoso, é
o que transforma homens em meninos assustados e mimados, cria marmanjões que não
lavam nem as próprias cuecas e se borram diante de qualquer responsabilidade e frouxos que se afogam em autopiedade.
Enfim, a filáucia tem muitos filhotes e não tenho motivo para me alongar aqui. Volto a recomendar o
curso do Pe. Paulo Ricardo para aqueles que tem curiosidade sobre o assunto:
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