domingo, 7 de outubro de 2012

A Marcha do Vadio, ou: Soneto do novo Calígula




O imperador devasso ressuscita no Brasil e faz o maior sucesso.  

Pelado e altivo, sairei pelas praças
Com meu peru à mostra, ereto e duro,
E mandarei marcar com ferro em brasa
Quem nele veja algo de feio e impuro.                        

Do alto dos templos tocarei punheta
E por força de  lei será proibido
Conjeturar que há nisso troça ou treta
Ou coisa de maluco pervertido.

 Mostrar o pau em público é um direito,
O cume da moral e da beleza,
Ao qual ninguém pode negar respeito.

Sou o novo paradigma, pois tarado
É quem sente conforme a natureza
Em vez de ceder tudo à moda e ao Estado.

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