terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Olavo e a punheta


"Só para dar um exemplo da extensão da minha cândida ignorância infantil, um dos mais tenebrosos mistérios do universo era para mim a tal da "punheta". Os meninos falavam disso o tempo todo, e eu, com o ar mais compenetrado do mundo, fazia de conta que tinha toda a "inside information" a respeito. Quando me perguntavam "Você tocou punheta ontem?", eu respondia: "Siiiiiiiiim!" E assim me dediquei por anos a essa atividade totalmente desconhecida, sem coragem de confessar a minha profunda inépcia na matéria. Quando finalmente descobri do que se tratava, com uns três anos de atraso em comparação com a média da população infanto-juvenil, tratei logo de reescrever mentalmente meu currículo punhetológico, dando validade retroativa ao meu extenso conhecimento do assunto. Durante todo esse tempo, vivi nas trevas da ignorância, como um papua da Nova Guiné perdido em Paris se fazendo de membro do Collège de France. O que isso me ensinou sobre os riscos do charlatanismo intelectual foi inesquecível." - Olavo de Carvalho

É aquilo que eu vivo comentando dos especialistas instantâneos de Google/Wikipedia. Discussões com charlatães intelectuais dependem puramente de informações soltas, nunca de real conhecimento.


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